Monique Evelle – uma jovem para ficarmos de olho

Relacionada em diversos rankings como uma promissora jovem ativista, Monique Evelle concede entrevista exclusiva ao Favela Potente

monique

*Joceline Gomes e Vinicius Dias

Uma jovem baiana que circula entre todas as classes, em todos os estados brasileiros, discutindo Direitos Humanos da Infância e da Juventude, Comunicação, Educação e ativismo. Essa é Monique Evelle, fundadora da rede Desabafo Social. Aos 20 anos, Monique é estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura na Universidade Federal da Bahia, e é ativista na área de direitos humanos há cinco anos.

Em 2013, ficou entre as 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil, pelo site Blogueiras Negras, e em março deste ano ficou na lista das “30 mulheres com menos de 30 para ficar de olho em 2015″, feita pela Revista Cláudia e Portal MdeMulher, da Editora Abril. Se é pra ficar de olho, vamos começar com essa entrevista exclusiva  de Monique Evelle para o Favela Potente, no qual a ativista falou sobre sua trajetória, sua comunidade, os protestos no dia 15 de março, e a democratização da comunicação.

Favela Potente – Como você começou na militância em Direitos Humanos?

Monique Evelle – Quando criei o Desabafo, era para focar na área de Educação. Os direitos humanos estavam sendo debatidos, mas não com tanta proporção quanto hoje. Depois que participei do Seminário Regional Nordeste da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e Juventude (ABMP), comecei a inclinar para área dos Direitos Humanos. Isso aconteceu em 2011. De lá pra cá tudo que envolve a temática estou presente.

Como está o trabalho do Desabafo Social?

O Desabafo atua online e offline. Online através das nossas redes sociais e do nosso programa de rádio que é transmitido pela Rádio Juventude. Offline (presencial), realizamos oficinas, formações voltadas para área de comunicação e educação e participação de eventos. No final de 2014 começamos a fazer assessoria pedagógica para algumas escolas, dando dicas de como aprender e ensinar através de projetos de educomunicação.

Fale-nos um pouco sobre a sua comunidade.

O Nordeste de Amaralina tem cerca de 75 mil habitantes, mais da metade são negros. É um bairro totalmente estigmatizado pela mídia, como a maioria das comunidades de Salvador, mas tem uma potencialidade incrível. Compositores, doutores, artistas, jovens fazendo atividades incríveis.

Como você vê os últimos protestos do dia 15 de Março?

Não vou dizer que a direita saiu do armário, porque já tinha saído há muito tempo. Mas nos mostrou que não podemos parar com nossa luta pela garantia de direitos, contra o discurso de ódio, pela democratização da mídia e outros pontos. Os desafios só aumentaram e precisamos ser estratégicos ao reforçar nossos trabalhos de base. Precisamos mostrar para qualquer pessoa, independente de posição política, que é inadmissível naturalizar um discurso criminoso pedindo o terrorismo do Estado, a intervenção militar.

Você acha que avançamos na garantia de direitos?

Sem dúvidas! Principalmente para os negros, mulheres, crianças, adolescentes e jovens. Continuaremos em luta para efetivar os direitos assegurados. É o nosso papel de controle social.

Que dicas você dá pra quem quer começar um veículo de mídia alternativo?

Não pense muito por onde começar. Apenas comece! Comece com um tema que tenha afinidade. Arrisque e faça aquilo que acredita. Pode parecer insuficiente, pode parecer pouco, mas um conteúdo de qualidade abre espaço para dialogar com diferentes olhares sobre o mesmo assunto. Os resultados são surpreendentes e eu sou a prova disso. O sucesso é garantido quando fazemos aquilo que acreditamos.

Como jovem mulher negra, quais as dificuldades que você encontrou no seu percurso de midialivrista?

Quando eu comecei, não tinha ideia do que eu estava fazendo. Apenas estava fazendo. Quando tomei consciência da repercussão de tudo que comecei a escrever e produzir, percebi certos entraves em alguns espaços. Algumas pessoas e grupos/coletivos/organizações não acreditavam e não aceitavam a ideia do meu trabalho ter ganhado tanta repercussão com tão poucas ferramentas utilizadas. Você percebe que não é só o preconceito racial e de gênero, é também o geracional. Parece duvidar da potencialidade das pessoas novas, dos adolescentes, dos jovens.

Você se considera uma midialivrista?

Se midialivrista é colocar o seu olhar sobre determinado assunto, ferramentas de baixo custo (TICs e redes sociais) que estão disponíveis para difundir e trocar conhecimentos e informações, sou midialivrista sim.

Como nós, produtores de mídia alternativa, podemos contribuir para o debate da democratização da mídia?

Temos ferramentas para debater sobre o tema e precisamos utilizar uma linguagem de fácil compreensão para que qualquer cidadão comum entenda o que é democratizar a mídia. Isso amplia o diálogo com grupos que não estão diretamente ligados à área da comunicação e fortalece a luta. Não podemos dialogar apenas entre nós. É preciso uma linguagem clara, decodificar termos e se preciso fazer um bê-a-bá para outros movimentos/coletivos/grupos.

*Joceline Gomes e Vinicius Dias também são midialivristas.

Anúncios

2 pensamentos sobre “Monique Evelle – uma jovem para ficarmos de olho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s