Prepara, que agora, é hora do racismo velado

*Joceline Gomes

Imagem: Página Analisando MPB (Facebook)

Gente, eu sei que isso é uma piada, ok?

Crianças, adolescente e adultos não podem mais ouvir a palavra “prepara” que já emendam: que agora, é hora, do show das poderosas – trecho da música de MC Anitta (sim, com dois T) que “estourou nas paradas de sucesso de todo o Brasil”. Mas esse post não é sobre a música, nem sobre a Anitta, nem sobre o funk. É sobre outra coisa.

Eu sei que essa imagem aí de cima é brincadeira, gente, não vamos focar nisso, ok? Mente aberta e vamos conversar. O que quero dizer é que essa garota estourou na mídia e é respeitada por ela porque é branca, “fez faculdade”, e os vídeos dela têm uma qualidade superior aos dos demais cantores de funk (afinal, gravar um clipe envolve muita grana, coisa que a galera da favela não tem). Para mim, ela é um ícone do racismo velado.

Branco cantando funk é ícone pop, preto cantando funk é bandido. Aliás, vamos fazer as devidas marcações de gênero, né? BrancA cantando funk é capa da Capricho, pretA cantando funk é “vagabunda”, “tá doida pra engravidar”, ou vocês não lembram do caso Bonde das Maravilhas?

Aliás, a “celebridade pop” falou sobre o grande sucesso do Bonde: o quadradinho de oito. “Eu inventei o convencional, que você tem que mexer o quadril e parar. Aí vieram as meninas do Bonde das Maravilhas e criaram o quadradinho de 8 em que elas ficam de cabeça pra baixo e formam um 8 com a perna. Sei fazer, mas tenho que fingir que sou fina”, brincou.

Ela é sexy sem ser vulgar. Ela inventou o passo. Mas ela não faz. Porque ela é fina. Afinal, quem faz quadradinho de oito de cabeça pra baixo não é fina, mas quem inventou é. Então tá bom. A branca inventou. As negras “não-finas” copiaram o passo e o “pioraram”. É a história da humanidade, o preto fazendo tudo errado sempre, e o branco contando a sua versão do fato, de como tudo era puro e bonito antes do preto chegar.

Não sei se vocês lembram, mas o funk foi inventado por negros. Logo, os passos também. Logo, Anitta, você não “criou” um passo, ele sempre existiu. O máximo que você pode ter feito é tê-lo “descoberto”, como Cabral “descobriu” o Brasil. Só falta dizer que inventou os passinhos das batalhas…

Antes de me perguntar por que eu defendo o funk, ou as dançarinas, ou porque não gosto da Anitta, por favor, pare pra pensar: quantas bandas de rock você conhece cujos vocalistas são negros? Quantos grupos de pagode? Quantas boy bands têm a participação de negros? Quantos grupos de funk? Quais desses grupos são mais discriminados e têm suas músicas depreciadas na grande mídia? Quais deles são considerados “alta cultura”?

E por favor, não me venham com a exceção. Milton Nascimento, Gilberto Gil, O Rappa, Broz (quem lembra deles?) são exceções. Eu quero mais de um nome. Anitta é um exemplo de algo popular que foi absorvido pela burguesia e virou “cult”. Bailes funk de favela são “perigosos”, bailes em boates de classe média são “balada”. Axé na rádio popular é brega. Axé no camarote vip open bar da micarê é “festa”.

O funk está passando por esse processo. As pessoas gostam, as pessoas dançam, mas ninguém que ser associado com algo que não é “fino”. Anitta, branca, maquiada, perfumada, cheia das roupas de grife que trouxe das viagens aos Estados Unidos, foi, por um acaso do destino, identificada pelo mercado fonográfico como a pessoa que iria possibilitar esse embranquecimento do funk.

Vamos começar a chamar as coisas pelo nome? Sabe qual é o nome do processo que leva o funk a ser sucesso na voz da Anitta e ser piada com o Bonde das Maravilhas? Racismo. Vamos lá, eu sei que você não gosta dessa palavra, que ela está no mesmo nível de um palavrão horrível, uma coisa quase imaginária, mas é preciso dizê-la, e eu sei que você consegue: RACISMO.

Não é fácil chegar a essa conclusão quando você não gosta de funk, quando você não é negro, quando você nem sabe quem é Anitta. Mas facilita se você ligar a TV e começar a contar quantos negros você vê, seja em comerciais, programas de auditório, apresentando telejornais, enfim, sendo produtores, e não vítimas de piadas e/ou processos jornalísticos duvidosos.

A culpa não é da Anitta. Nem da música dela. Nem do funk. Vivemos numa sociedade extremamente racista (é um choque pra você, eu sei), que não considera bom nada feito genuinamente por negros. Rap, funk, axé, pagode: é tudo “subcultura”. Quer dizer, até alguém vir e fazer um clipe majestoso e sair na capa da Capricho. A coincidência é que a Capricho também não estampa negras nas suas capas. Ou você nunca reparou isso?

O racismo é realmente assustador, e pouca gente o percebe nessas nuances. As verdadeiras “poderosas” não se importam nem se preocupam com isso, porque estão viajando pelo mundo pra gastar o dinheiro que fizeram com o funk, tudo sendo muito finas, claro. Certa é a Anitta, que expulsa as invejosas e é fina. É outro nível.

*Joceline Gomes é jornalista, gosta de Lelek Lek mas não sabe fazer o quadradinho de oito (nem a versão fina).

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54 pensamentos sobre “Prepara, que agora, é hora do racismo velado

  1. Na minha opinião a Jornalista é quem está sendo racista. E ainda se contradiz o tempo todo tentando provar sua “agenda”, ou seja, inflamar a bandeira do racismo. Citarei apenas uma contradição: “E por favor, não me venham com a exceção. Milton Nascimento, Gilberto Gil, O Rappa, Broz (quem lembra deles?) são exceções. Eu quero mais de um nome.” Não sabe contar? Não tem mais de um nome aí?

    Ainda se pergunta o porquê do funk ser depreciado na grande mídia, sugerindo que seja culpa dos vocalistas serem pobres e negros… Como assim? Que falta de avaliação crítica! O Funk é depreciado porque é horrível como expressão musical, sem qualidade, sem profundidade, sem respeito ao próximo e totalmente racista e sexista em si mesmo, chulo em sua vasta maioria sem a finesse de nossos cantores/autores satíricos que sabem cantar “sacanagem” sem pornografia… Quando foge deste molde ganha o Brasil, tal qual Claudinho e Bochecha…

    Também falta um pouco de conhecimento do que seja subcultura, ou música alternativa. Se a autora não sabe é muito mais subcultura as músicas da classe média alta como Rock Alternativo e de Garagem, Surf Music (tão subcultura que duvido que a autora conheça uma banda brasileira do gênero, e há várias), hardcore, entre outros gêneros que não têm qualquer exposição na mídia, mesmo sendo infinitamente intelectual e qualitativamente superiores à qualquer FUNK. E não, isto não é discriminação minha, é apenas uma análise musicológica. Via de regra o Funk tem “cantores” que desafinam o tempo todo, não sabem manter a melodia, e não têm nem o ritmo sincopado e alucinado dos rappers, como Marechal MC e cia.

    Vale lembrar também que música popular, no mundo todo, não é vista como música de qualidade, mas sim de massa, produzida apenas por dinheiro sem real inspiração musical por detrás. Cantoras como Kate Perry, Rihanna, e cia. que precisam usar equipamentos como autotune para cantar sem desafinar, e não compõem suas próprias músicas, são veneradas no mundo pop, e nem por isso consideradas “FINAS” ou música de alto nível. Este mesmo efeito ocorre com a música de massa no Brasil, e o Funk é música de massa!

    Racista, na minha opinião, está sendo a autora que acha que se alguém mais bem de vida, que não venha da favela e seja branco não pode fazer sucesso por seus próprios méritos. Se ela cantasse MPB este texto nunca teria sido escrito… MPB é coisa de branco de classe média, não é?

    Em tempo: ABOMINO COMPLETAMENTE A ANITTA

    PS.: Desculpe qualquer erro de Português, escrevi na correria pois estou no horário de trabalho… tudo bem que sou o chefe, mas por isso mesmo preciso dar o exemplo 🙂

    • Oi, Felipe.

      Além das respostas que desmontam cada achismo do seu comentário, só te dito que é sempre mais fácil dizer que quem fala de racismo é racista. Viver isso em uma sociedade preconceituosa e padronizada que é foda!

      • Bom, eu sou branca e digamos que depois de uma longa trajetória da minha família por conseguir uma vida estável e sólida, hoje me enquadro na classe média.

        Faço o curso de direito e estou trabalhando os meus pensamentos radicais aos poucos, pois admito ser um conservadora e arcaica.

        Acredito que a mulher, principalmente, tem que ter valor próprio, auto confiança e segurança de seus ideais e capacidades. Isso implica dizer que, no meu ponto de vista, não importa o quanto uma mulher consegue ser “moderninha” e se padronizar às novas concepções de maneira rápida e impensada se ela não tiver convicção dos seus ideais e uma justificativa plausível pelo qual acredita neles e continuar, mesmo que a favor, questionando os porquês de aceitar uma determinada ideia para que possa sempre retificar seus erros e mudar as suas opiniões caso tenha sido equivocada ou injusta.

        Acompanhar a evolução da humanidade e deixar se levar pela moda de acreditar em determinados conceitos, previsões e determinações pelo simples fato de ser moda, não me convence de que você seja uma feminista, uma realista, uma ilusionaria, uma religiosa etc…

        Primeiro quis esclarecer o meu ponto de vista antes de iniciar o meu comentário, pois sei que muitos vão discordar de mim.

        Antes da Anita aparecer, muitas pessoas de classe média e classe alta já frequentavam os bailes de funk mesmo nos morros das favelas pelo toque eletrizante e tipico das baladas eletrônicas.

        Como diria um próprio funk: é som de preto, de favelado (julgamento dos pais, mídias e até mesmo dos próprios riquinhos frequentadores dos bailes), mas quando toca NINGUÉM fica parado.,

        A verdade é que a mídia (Gabriel Pensador = A programação existe pra manter você na frente, na frente da TV, que é pra te entreter, que é pra você não ver que o programado é você) PRECISAVA de um ÍCONE, para levar aos pais caretas e à própria comoção social, do funk. Podendo assim ser livremente cultuado, graças a censura previamente imposta para circulação do funk.

        Retroagindo, gostaria de dizer que a Anita, desde que se lançou no garagem do Faustão (link= http://tvg.globo.com/programas/domingao-do-faustao/garagem-do-faustao/videos/t/tv-garagem/v/tv-garagem-carol-macedo-e-anitta/1726127/ ) deixou bem claro que ela queria sim ser funkeira, não uma funkeira de classe, mas sim uma que pudesse dissipar um hino para as pessoas, um funk do bem, de que elas podem se sentir bonita, poderosas, sexys e não ser vulgar e que o movimento de vulgarização da música prejudicaria qualquer estilo musical, inclusive o funk.

        Na região que eu moro (nordeste) existe vários tipos de forró que leva a mulher a uma imagem completamente de objeto. Quem conhece sabe.

        Outra coisa que queria dizer a respeito do gênero música, é que um dia desses eu abismada com as letras das músicas existentes hoje em dia e que as menininhas de até 10 anos sabem a coreografia completa, parei e fiz uma retrospectiva da minha vida, aí com a maturidade dos meus quase vinte anos, percebi que, na minha infância fui fã e também sabia de todas as coreografias de um Grupo chamado “É o tchan”, inclusive eu e minha prima ganhamos até um daqueles conjuntinhos que reproduziam a roupa das dançarinas. Depois que eu me lembrei de alguns trechos das músicas do tchan …

        1. Pau que nasce torto nunca se endireita… menina que requebra… mãe, pega na cabeça
        2.Vai ralando na boquinha da garrafa… vai descendo na boquinha da garrafa… vai saindo da boquinha da garrafa… Vai subindo na boquinha da garrafa
        3. Tem sessenta de cintura, Que gostosura 105 de bundinha Que bonitinha
        4. Encaixa, encaixa, encaixa, encaixa, encaixa, encaixa, Remeche e agacha
        5. Bota a mao no joelho e da uma baixadinha, vai mexendo gostoso, balancando a bundinha
        6. O califa tá de olho no decote dela… tá de olho no biquinho do peitinho dela… tá de olho na marquinha da calcinha dela… tá de olho on balanço das cadeiras dela

        Bom Acho que é melhor parar por aí… Acontece que naquela época eu não tinha consciência de quão sugestivas e de apelo sexual tinham as músicas, coreografias e roupas. Mas mesmo assim era aceito por quase TODA A CLASSE MÉDIA, e frequentemente transmitido pela mídia.

        Então para concluir mesmo o que gostaria de dizer é que, o conteúdo das músicas de apelo sexual não é o problema, ouvimos todos os gêneros musicais com presença de algum tipo de descriminação, seja ela classicista, racial, de gênero e/ou posturas ideológicas. Então à vocês que se ativeram apenas ao teor musical tratado pelo post’ entendo perfeitamente vossas opiniões, e concordo a música produzida pelo bonde das maravilhas é de péssimo gosto. Más há quem goste, reproduza e cante.

        Gostaria de relatar mais um episódio, recentemente o Dança dos Famosos apresentou funk, a produção do programa chamou o bonde das maravilhas e o bonde dos novinhos ( link=http://www.youtube.com/watch?v=A7GxQJ5pBe8 ) e foi impressionante a cara de desgosto do Daniel Boa Ventura. Acontece que o que foi uma brincadeira divertida nos bastidores, MAS SUAS PARTES MAIS “BAIXAS” CONSIDERADAS PELA GLOBO NÃO FORAM TRANSMITIDAS.

        Então apesar de Anita ser parda, Naldo ser Negro, Claudinho e Bochecha também, e os Cantores do É o tchan serem uns negões visualmente (sem preconceito com meus termos), o que podemos notar é que a mídia precisa DISFARÇAR O SEU PRECONCEITO, então o racismo tá sim evidente e Anita só não está inclusa como vítima nisso porque ela foi escolhida pela mídia para dar uma resposta aos clamores de reconhecimento do funk e de certa forma os seus “valores” se encaixaram na sociedade machista e racista …. Porque só para deixar claro se ela não se vestisse como tal, e não requebrasse ‘sendo sexy sem ser vulgar’ lema, também não seria ACEITA. Até porque freiras não fazem nenhum sucesso, mas isso é discussão para outra hora

    • Felipe, obrigada pelo seu comentário. Mas sugiro que você leia o texto novamente, com mais calma, sem a correria do ambiente de trabalho (sei como é, rs). Você está julgando o funk com o mesmo preconceito com que julgou o texto – apelando para o lado pessoal. Você não gosta de funk, não vê qualidades musicais e não consegue dissociar o ritmo do texto. Não estou falando do funk, nem da Anitta, e deixo isso claro aqui: “Mas esse post não é sobre a música, nem sobre a Anitta, nem sobre o funk. É sobre outra coisa.”; e aqui: “A culpa não é da Anitta. Nem da música dela. Nem do funk. Vivemos numa sociedade extremamente racista (é um choque pra você, eu sei), que não considera bom nada feito genuinamente por negros.”
      Se você gosta ou não de funk, ou da Anitta, isso não é importante para o debate. Estamos falando de um processo, como você mesmo disse, de mercado, de massa. E o mercado, a massa, também é constituída por negros, mas os negros são discriminados e marginalizados por essa mesma mídia de massa, mesmo quando estão fazendo exatamente a mesma coisa, como Anitta e o Bonde das Maravilhas – no caso, funk.
      Funk é mais que música, ritmo, letra ou coreografia, é um movimento popular da favela, das comunidades, da periferia. Alguns funks de São Paulo apresentam hoje, nas suas letras, o que eles querem da vida: mulher e ostentação. Há ainda outros estilos que debatem problemas estruturais do nosso país, como o é o caso do funk “Isso é Brasil”, do MC Garden. É mais do que ser afinado ou não, ter coreografia ou não, ser feito por preto ou branco.

      Outro detalhe: “subcultura” é diferente de contracultura. Surf music, rock, são movimentos contraculturais que foram absorvidos pela cultura. Subcultura, no sentido que eu quis dizer no texto (inclusive entre aspas) é uma cultura de menor valor em uma sociedade (vide funk, axé, pagode, rap – produtos de processos culturais protagonizados, em sua maioria, por negros).
      Sobre sua afirmação de que estou sendo racista, Zulu Araújo, diretor da Casa de Cultura da América Latina (UnB) e ex-presidente da Fundação Cultural Palmares, costuma dizer que o racismo envolve uma relação de poder, e os negros, na nossa sociedade brasileira, não possuem poder. Portanto, não dá pra dizer que estou fazendo “racismo ao contrário”, pois entre eu e a Anitta, ela tem muito mais poder que eu, como ela mesma canta em sua música.
      Sugiro que você leia mais sobre o assunto. Pra começar, essa entrevista com Zulu Araújo pode ser bastante esclarecedora: http://www.almanaquebrasil.com.br/personalidades-cultura/10332-zulu-araujo.html
      O texto não se encerra nele mesmo. A intenção é realmente gerar um debate e uma reflexão. Fico feliz por você ter iniciado o processo. E volte sempre!

      • Agora já estão dizendo que a Anitta não é branca, mas que foi “embranquecida”. Num país onde as pessoas têm todas as nuances, o quanto é importante essa “classificação” da Anitta ou de quem quer que seja? É questão de identidade? É questão de mercado?

      • Bom,mas, não acho q a Anitta seja racista, se é o que eu bem entendi sobre o post….não pelos fatos de ser branca(q acho q ela não é branca necessariamente, e, sei, parda) como você diz e nem pelo fato de ser mundialmente famosa,ter ótima$ condiçõe$ financeira$, mas, nós não a-conhecemos pessoalmente, então, (só acho) q não devia julgá-la por ser ”fina”, e sim, olhar pelo lado do bom-humor,pois , se nós não tivermos esse dom(de levar a vida na brincadeira)hoje em dia,nada muda, tudo fia igual:racismo, preconceito,marginalidade e outros temas que faz a nossa sociedade ficar praticamente ”escondida”, todos sabemos q a sociedade em si NÃO tem voz, infelizmente, quem ”manda” é a ”elite”, (se me permite a linguagem) então,peço não só a você, mas, a todos que leram esse post, COR NÃO DEFINE QUEM VOCÊ É, O QUE TE DEFINE É O CARÁTER…posso conviver com pessoa de pele escura normalmente(sendo que EU TENHO pele clara) então, finalizando, quero dizer que, o que a sociedade, adulta, não diz, eu digo, e mais, tenho 12 anos de idade acreditem ou não, e só acho que todos q são definidos por sua cor, crença, raizes, e cultura, não se diminua, lute por seus direitos.
        Obrigada, Emily 🙂

  2. Só um comentário segundo ela mesmo desmentiu a cidadã citada ai no texto não faculdade não viu? no ultimo programa da Marilia Gabriela , gagejou , gagejou e acabou falando que fez um cursinho tecnico de administração

  3. Gostei do texto e da reflexão que eles nos chama a fazer. Existe um racismo velado em vários campos da sociedade brasileira, e este é o grande mal, porque se vc não é vítima dele, logo pensa que somos uma sociedade evoluída ou algo do tipo. É enriquecedor o debate em torno deste tema, pois precisamos expor nossas feridas para tratar. Infelizmente, sobre o caso em questão confesso que fiquei perdido, pois não gosto de funk e nem conheço com a profundidade que a autora conhece a cantora Anitta ou o Bonde das Maravilhas. Compreendo que a autora quis tornar o texto mais leve por se tratar de um espaço mais informal, entretanto, percebo pelo comentário da autora que ela tem um bom conhecimento em Sociologia e pode escrever um texto mais denso sobre o tema.

  4. Olha, estou tentando pesquisar sobre isso, para poder dar uma opinião solida…
    estou comparando O bonde das Maravilhas, com a Anitta…

    A unica musica do Bonde das maravilhas que eu conheço é o quadradinho de 8, e da Anitta, são 3 musicas, show das poderosas, e mais 2 que eu não sei o nome, mas tão tocando direto, ate porque minhas irmãs escutam muito ela…

    Acabei de tacar no google pra ver as musicas delas, enquando no letras.mus.br no bnde das maravilhas você só tem 12 musicas.

    A anitta tem 86 musicas, concordo em parte que quando uma musica na voz de alguém de pele branca ou clara, dependendo da pessoa, ganha mais força, O Elvis começou a cantar o rock negro e fez sucesso quando a musica ja existia a muito tempo…

    Acredito não ser diferente com a Anitta, mas as musicas da Anitta são bem mais elaboradas que as do bonde das maravilhas, acredito piamente que não é a Anitta que escreve suas musicas (posso estar errado)

    Concordo que, as pessoas veem que será melhor uma coisa mais elaborada na boca da Annita do que nas vozes das meninas do bonde das maravilhas, que declaradamente não gostam de estudar, e 2 delas que são menores de idade, tem 2 frases tatuadas no corpo cheias de error de português…

    Mas em parte eu concordo sim com os argumentos desta matéria…

    Eu realmente to analizando as letras das musicas do Bonde das maravilhas e as musicas da Anitta.
    Percebo que a principal diferença entre o bonde das maravilhas e a Anitta é a exposição da mulher, querendo ou não as músicas da Anitta não são nem de longe tão “escrachadas” quanto as do bonde das maravilhas.

    Comparem…

    anitta
    http://letras.mus.br/mc-anitta/

    Bonde das maravilhas
    http://letras.mus.br/bonde-das-maravilhas/

    Parei pra pensar nas cantoras de funk que conheço que fizeram um certo sucesso
    e nenhuma delas nem se comparou ao sucesso da anitta
    Marcelly e Sabrina… Só lembro dessas duas no momento
    ambas brancas e mais vestidas que muitas outras
    Agora quando foi a ultima cantora de funk negra a emplacar um sucesso como “show das poderosas” da anitta?
    Lembro da tal da Tati quebra barraco, beeeem favela mesmo sakas? Fez sucesso por causa da novela e nunca mais escutei falar dela
    Valesca… Bem escrota, bem favelada, teve seus 20 minutos de fama mas tbm nada igual ao que a Anitta tem
    Que injetaram muito dinheiro nessa garota é obvio, o sucesso que ela conseguiu é de longe bem maior do que qualquer cantora de funk anterior a ela.

    Não sei bem se é pelo embranquecimento do funk, e sim pela popularização das favelas uma vez que as ultimas novelas da globo tem deixado bem claro que eles querem dar ao publico a impressão que as favelas pacificadas são um bom lugar pra se viver, que eles estão fazendo isso muito bem, que o alemão é um lugar lindo e etc
    trazer “qualidade” das favelas é apenas mais um modo de fazer isso.

    as meninas do bonde das maravilhas não tiveram a orientação q a Anitta teve, simplesmente fizeram sucesso com o que pobre gosta, mulheres em posições de forte apelo sexual e refrões q grudam na cabela
    lembra do Créu?
    Igualzinho a ele, sem letra, sem assunto, só mulheres rebolando e musica grudenta.

    Eu nem vejo o som da Anitta e do Naldo como funk, eles mudaram muito o conceito das musicas deles, assim como foi com Claudinho e Buchecha, mudaram muito quando começaram a fazer sucesso…

    A questão toda é, Bonde das Maravilhas e Valesca Popozuda (branca?) Só colaboram para que este ritimo continue mal visto, e isso só se faz a ascimilação do funk ruim igual a coisa de negro, coisa de favelado…

    Solução, mudem isso, comecem as meninas negras a elaborarem mais as musicas, as letras, os ritimos.

  5. Pessoal, muito obrigada pelos comentários e pelas reflexões que vocês trouxeram. Esse é um espaço pra gente debater, pra pesquisar, opinar, mudar de ideia, é isso mesmo! Colaborem com o Favela Potente também! Acredito que vocês também podem iniciar debates importantes, que repensam nosso lugar na sociedade. Entrem em contato pelos comentários, ou pelas nossas redes: Twitter e Facebook. Todos são muito bem vindos. E voltem sempre! 😉

  6. Gostei muito do artigo, você trouxe reflexões totalmente plausíveis e totalmente lógicas! Uma coisa que eu pensei em relação a isso também, é que antes falavam MC Anitta, agora só Anitta, mostrando o distanciamento que ela vem tendo da origem funk, porque agora ela é POP! Isso foi marcado num debate que houve no circo voador justamente sobre o funk e o preconceito que sofre, MC Sapão se atentou a isso, falando que muitos MC´s abandonavam essa marca de MC para virarem Pops, porque a industria musical absorvia muito mais a elite pop do que o funk. Eu gosto da Anitta (por mais que eu saiba que a qualidade musical é péssima, mas gosto, não sei porque, haha), mas realmente é o racismo velado e envernizado!

  7. No final do texto, quando a autora comenta sobre a quantidade de negros em nossa vida e a que papéis estão relacionados eu tenho que concordar com a existência do racismo velado. Entretanto, sobre as comparações utilizadas, acho que em muito foram descabidas. Comparando a letra das duas músicas citadas é óbvio o motivo pelo qual uma é tocadas em qualquer rádio e a aparece na televisão, enquanto a outra não. Trata-se apenas da vulgaridade de cada uma. E isso sempre foi observado no mundo do funk, quando um não apresenta explicitamente o conteúdo sexual ele aparece, quando são utilizados termos vulgares, não. Racismo em relação a isso? Não, não existe.
    Outro ponto é a pergunta: Quantos grupos de pagode com integrantes negros? Pelo amor de Deus, diversos grupos famosos de pagode que tocam em qualquer novela ou rádio são compostos absolutamente por negros. E sobre o Rock? Dependendo da categoria de Rock que se fala, ele não é nem um pouco apoiado pelas massas, devido a seus clipes e letras, que se não forem julgadas a procura da mensagem velada são ditos como horríveis, barulhentos e mórbidos. Desta forma, muitos rockeiros brancos e negros sofrem o mesmo preconceito.
    E como assim quem se lembra de Gilberto Gil ou Milton Nascimento? Quem não lembra, quem não sabe ao menos uma canção?! O Rappa?? Extremamente visível, com canções tocadas diariamente. A autora trata como exceção e chega a rebaixar tais cantores apenas para não se contradizer.
    Outro detalhe, a Anitta inventou o quadradinha de 4, sem ser de cabeça pra baixo, o qual o faz em qualquer programa que seja convidada, sem se preocupar se será fina ou não. Acho que a autora deve concordar que se visse qualquer pessoa de cabeça pra baixo, rebolando como um lombriga olharia com mais olhos. E hoje em dia o rebolado do quadradinho de quatro só não é visto dessa forma, pois ao longo do tempo houve uma aceitação da sociedade. Mesmo processo pelo qual passaram as roupas, as mulheres separadas etc
    Procure mais informações, pois dessa forma, um texto que poderia citar sobre o racismo velado realmente existente no mundo como exemplificado nos últimos parágrafos, perde todo o respeito.

    • Você não entendeu, Luciana Souza. O texto cita os grupos de pagode, O Rappa e Milton Nascimento como exceções de onde os negros aparecem, não para rebaixá-los. Leia com mais atenção e perceba o contexto em que eles surgem.

  8. E se fosse o Naldo, no lugar da Anitta?
    Naldo é preto, faz funk-pop e “conquistou” a todos: da Zona Sul até a Zona Norte. Além, claro, dos canais de rádio e tv.

    Achei seu texto muito fraco, usando argumentos pró-racismo que sao lugar comum, a fim de convencer mais facilmente quem só faz uso da metade do cérebro. Como papo de subcultura, pretos em capa de revista, artistas pretos, apresentadores de tv pretos e por aí vai. Note, porém, que nao estou dizendo que seus argumentos estao errados. Mas, sim, que sao argumentos comuns e usados a todo o momento. Ou seja, nao tem nada de original aí. Gostaria de ver originalidade no seu texto. A ideia, porém, pode até ser boa, mas um texto sem argumentos fortes faz parecer que você quis provar seu ponto de vista sem ter, contudo, capacidade para tanto.

    Além do mais, acho que você mesmo caiu nas manhas racistas, ao classificar Anitta como “branco”. “Mente aberta e vamos conversar”. Você se levou apenas pela cor da pele mais clara, mas a menina é parda, tem origalmente cabelo “duro” e o narizinho..ah, deixa pra lá.
    E, também, você “manda” que a gente pare para pensar o porquê de você nao gostar da Anitta mas defender o funk dos negros, pondo os dois anteriores numa posicao contrária, e mais a frente, as perguntas que você nos oferece para pensar sobre tal questao sao apenas de cunhos raciais, como se você mesmo odiasse a Anitta por ser “branca” e gostar dos demais por serem negros. Oi? Moca, você também é racista.

    Um abraco e boa sorte nos próximos texto.
    P.S.: sou preta, cabelo duro, gosto de funk mas detesto a Anitta e o Naldo.

  9. Funk é uma expressão horrível, seja feito por brancos, pretos, mestiços, asiáticos ou índios. Sinceramente, já houve tempo em que a favela fazia algo de melhor qualidade. Na verdade dizem por aí que o funk carioca não nasceu na favela e que teria surgido no Canecão, entre outros locais de bailes, através de um DJ muito famoso nos anos 1970 (Big Boy) e depois o funk carioca ainda sofreria influências do miami bass (hip hop americano) e do freestyle (estilo popular entre latinos e italianos). Ou seja, guarda pouca relação com o funk de James Brown e cia.

  10. Racismo são pessoas falarem que o funk é uma cultura atual. Você quer nomes de negros que cantaram o VERDADEIRO funk? Ouça Tim Maia e James Brown…isso é o funk..e são negros 😉 Anitta, entre outras musiquinhas, ñ era nem para usar esse nome aos seus sons. Racismo e preconceito é a fata de cultura e vontade de aprender.

  11. Belíssimo texto!

    Para os que querem provar o contrário pela exceção, lembro que negro fazendo cultura só é tido como “cultura formal” quando a elite branca assim o afirma. Se hoje muito dão como exemplo James Brwon, Tim Maia, Cartola… é pq um dia a elite branca deu seu aval para assim o pensar e falar que é.Não pense que é tão autônomo dando esses exemplos.

    Outras críticas são sempre os mais do mesmo, justificando que tudo é como deve ser, e quem questiona e levanta a voz é quem está errado. Mas sua paciência e sabedoria das respostas são exemplares, e com certeza isso promove mudanças, mesmo que vagarosas, passando por cada barreira do egocentrismo, orgulho, estagnação, etc.

  12. Teve Pepê e Nenem. Acho que, na época, teve proporcionalmente muito mais sucesso que Anitta. Por que eu sabia quem eram. Já Anitta eu não faço ideia. Mas, de qualquer forma, me encaixo no grupo dos que não gostam de funk, nem de brancos nem de negros. Minto, o funk de Tim Maia, James Brown e cia eu acho muito bom!

  13. Adaptando o que disse sobre isso no Feminista Cansada:

    De fato a Anitta passou por white-washing (os cabelos foram alisados, e afinou o nariz), e de fato o Bonde das Maravilhas sofre muito com racismo (quando dizem que são feias, quando dizem que uma música extremamente assexuada faz apologia ao sexo, quando ridicularizam elas de forma geral) mas algumas coisas me incomodaram no texto que analisou o sucesso dela em comparação com os demais funkeiros:

    1. Como já foi dito, Anitta não é exatamente branca, por sinal, ela poderia tranquilamente fazer parte do Bonde antes do white-washing: http://1.bp.blogspot.com/-UH1N

    2. Antes de virar uma cantora pop descolada, ela estava realmente inserida no universo do funk, a ponto de ter contrato com a Furacão 2000, quase todos os artistas de funk citados naquele artigo vieram de lá também. Por sinal, todas as músicas dessa época estão no CD atual dela.

    3. Senti (e não só dessa vez ou só nesse) uma grande má vontade ao analisar o que ela quis dizer quando falou que sabia fazer o quadradinho de 8, mas tinha que fingir que era fina… E o termo chave aqui é o “fingir”. Pra mim isso mostra basicamente duas coisas: a) Ela tem consciência e tira sarro da imagem de “cantora de funk limpinha” que fazem dela e b) ela não tava afim de fazer um passo de coreografia que francamente não rola sem a roupa e o preparo certos, e se adiantou em deixar claro que não faria aquele passo. Também é bom lembrar que ela tem histórico como professora de dança, e que por isso mesmo ela inventar UM passo não é algo de todo absurdo. Lembrando que ela nunca disse que tinha inventado o “quadradinho de 8”, e sim o “quadradinho”, os dois passos são diferentes, mas o segundo é inspirado no primeiro. Esse papo tbm vem de antes da fama, antes de contrato com gravadora, antes do sucesso, da época que era uma mina que frequentava o baile.

    4. Ela parece bem consciente que o que ela tá fazendo é música negra, e isso se reflete de tudo, às coreografias, às referências e bailarinxs de palco.

    5. Por fim, pelas entrevistas com funkeiros mais antigos e mais raiz que andei lendo, eles de forma geral vêem com alegria alguém que saiu do meio deles chegar ao mainstream e também vêem como oportunidade pra que eles mesmos sejam vistos com melhores olhos, como se esse funk pop que ela ou o Naldo vem fazendo fosse um “primeiro passo” rumo a conhecer melhor o que existe no gênero. O que não deixa de ser verdade… Gente como Naldo e a Anitta que fazem o funk “limpinho” levam o gênero a lugares que são difíceis de gente cantando e dançando de forma menos “refinada” e letras muito “vulgares” pros padrões da classe média chegar.

    Enfim… não discordo que há racismo, não discordo que ela ser abraçada pela mídia é reflexo desse racismo e não discordo do white-washing e acho que essas coisas todas merecem porrada… Só me incomodou mesmo a parte da porrada que sobrou pra ela. O pop, o mainstream, é feito de uma versão aguada de algo criado no underground, e a carreira dela tem sido planejada exatamente pra isso, pra chegar à um público que tem ojeriza, por racismo, classisimo e moralismo, ao que o funk puro representa e abraça como estética. E dentro disso a batida foi suavizada, as referências a sexo foram atenuadas e o material dela ganhou uma roupagem pop que é tão amada pelo jovem da nossa amada classe média escrota.

    E ainda assim, por ela ter um corpo mais curvilíneo, que costuma agradar o público normal do funk, mas fora dos padrões de magreza ideal da mídia, vejo com frequência ela ser ridicularizada por ser “gorda”, ou de ser “feia” (algo que nunca ouvi sobre a Sandy ou a Wanessa, por exemplo) o que mostra que nem assim ela se livrou totalmente dos ranços de preconceito. Também vejo um grande esforço de alguns críticos pra ou falar que ela não é boa por ser diluída demais (e depois falar que o funk carioca é baixa cultura pela vulgaridade, ou seja, ou perde ou perde), ou pra resumir ela a uma bunda, ignorando que quando a música chega nas rádios e nas pistas, não tem a bunda dela lá pra segurar a audiência.

    E sim, de acordo com os créditos do CD, é quase tudo composição dela,uma boa parte sozinha, inclusive Show das Poderosas.

  14. Eu não entendo bem o motivo de reclamarem tanto da quantidade de negros na mídia, afinal, no CENSO 2010 é mostrado que representam cerca de 8% da população. Eu questionaria mais o como são colocados e não a quantidade.

    • Ah, e eu sei que você em parte questionou sim o como são colocados, mas é que sempre vejo textos que trazem esse assunto denotando a baixa quantidade de negros em revistas, programas de televisão, filme, etc…e não vejo muito sentido em falar em quantidade já que foge dos números do Brasil.

  15. Concordo com o Leandro. E vou além…
    Forçou muito a barra nesse texto, sinto muito. Além disso se mostrou preconceituosa e VOU MOSTRÁ-LA POR QUE.

    Nessa situação, o “racismo” que você percebe não está na criação/fenômeno Anitta em si e sim no preconceito das pessoas que você observou no seu cotidiano e, ouso dizer, em você mesma que procurou olhar com esses olhos.
    Independente de a Anitta ser branca ou não (coisa que sabemos que ela não é, aliás a família dela é de nordestinos e já ela disse isso) ela é uma mulher bonita e cedo ou tarde cairia nas graças da mídia. Não bastando, existe um esforço para agregar qualidade ao seu trabalho (ela canta melhor que todas as outras funkeiras, tem letras melhor estruturadas, figurinos mais interessantes e uma banda e corpo de bailarinos de bom nível).
    Tudo isso faz as pessoas simpatizarem pelo artista. Ah, antes que você me pergunte o que é bom nível: gente que estudou, que buscou treinar, aprender e ralou muito pra saber fazer o que faz. Isso é bom nível, ou se você preferir, nível profissional, independente de ser preto ou branco (se você notar, a maior parte dos profissionais que trabalham com ela são negros). Bonde das maravilhas nunca foi profissional.
    Além disso, existem outras funkeiras brancas que nunca chamaram atenção das pessoas em geral e não caíram na graça da “classe média”. Não sei se vc conhece funk tão bem como diz, mas eu to bem por dentro.
    Mais uma coisa: ignorar todos os diversos artistas pretos pra dizer que poucos são os notados é no mínimo triste. Nem vou entrar nesse mérito pq chega a ser desprezível esse argumento.

    Só umas ponderações: NÃO SOU NEGRO. NÃO SOU BRANCO. Sei lá que cor eu sou, portanto não vou basear minha opinião nisso porque antes de tudo sou cidadão e mereço crédito na minha opinião independente de ser preto ou branco (ao contrário do que você disse no seu texto, sugerindo que é difícil enxergar preconceito sem ser negro – não é preconceituosa também essa sua opinião?).

    A mídia realmente não dá espaço ao negro (fato) mas essa não é a questão central do seu texto que escolhe exemplos bem específicos para serem analisados. Sendo assim, se você quiser argumentar alguma coisa, evite usar essa ideia da ~Revista Capricho não dá capa a negros~. Essa é uma dica pessoal minha. É uma revista esdrúxula, sem conteúdo útil algum. Além disso, sabendo que a classe média brasileira e as leitoras fúteis da Capricho são predominantemente brancas você realmente esperava ver frequentemente negras na capa? Seria como querer vender a revista RAÇA com ruivos sardentos frequentemente. Independentemente de não ser declarado, é óbvio que o público alvo dessa revistinha tosca são menininhas infantilóides pré-adolescentes da classe média brasileira, que adivinhe, é branca. Não é a revista que se impõe para brancas, é o mercado da revista que a faz ser assim. No dia que houver mais negros com tempo pra ficar lendo essas asneiras na classe média brasileira talvez seja mais frequente capas com pretas. Agora, resta saber se isso é bom. Se você acha que sim, em vez de lutar por um lugar melhor para “as meninas do bonde das maravilhas” ou “uma capa com negra na conceituadíssima Capricho” você deveria lutar para que mais negros brasileiros vivam uma vida digna e longe do racismo imbecil e consigam fazer com que o atraso social imposto por séculos de relação desigual entre as “raças” seja ultrapassado.

    • Estamos malucos ou o que? Meninas de 13 a vinte anos promoverem a idéia de que toda brasileira é prostituta, e ainda existirem pessoas negras recalcadas que as defendem com o mimimi do racismo? E ainda querem que os negros sejam reconhecidos pelo talento, pelo caráter laborioso e inteligência… Realmente os negros como grupo, são o que são, basta olhar a realidade sem os preconceitos de quem se injustiçado por ter nascido negro.
      No fundo, tudo se resume a isso, racismo contra si mesmo, e assim a loucura de defender a promiscuidade, a falta de cultura e a irresponsabilidade dos negros e pardos pais e mães destas cantoras… E vamos celebrar tudo que vem da favela, que está na moda…. Porque os que tanto gostam de favela não vão para lá morar? Sem dúvida, são traficantes e bandidos por falta de oportunidade, e engravidam cedo por uma questão cultural…
      Não aprovo esta cultura negra, se é isto, e não os tantos e excelentes negros que vivem no mundo inteiro com dignidade,sem pensar apenas em cantar, ser atletas ou promiscuidade.

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  20. Anitta só começou a fazer sucesso porque deixou o funk baixaria de lado e emplacou num quase pop, fazendo videoclipes no estilo Beyoncé e PussyCat Dolls, que aliás, são negras. Mesma coisa aconteceu com o Naldo, que também é negro. O motivo do Bonde das Maravilhas e tantos outros cantores, negros ou não, de funk não fazerem sucesso é que a maioria das pessoas sente vergonha de coisas como ‘o quadradinho de 8’ de cabeça pra baixo ou o baixo nível das letras. Creio que apenas Valesca Popozuda e Mr. Catra conseguiram uma fama considerável com letras tão escrotas, e isso por que sim, tiveram muito dinheiro de gravadoras injetado. Não acho que seja racismo, e sim questão de gosto musical, todo mundo dança funk na balada mas ninguém quer ouvir letras de baixo calão em casa tocando na rádio, né? Sem contar que, Anitta tem uma voz bonita, boa de se ouvir, já a maioria das funkeiras arranham alguma coisa, e isso conta também. A música brasileira e internacional tem muitos nomes negros de expressão, mas a verdade é que, sendo branco ou negro, pra fazer sucesso tem que ser bom.

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  22. Eu li o texto e não li os comentários. Acho que algum tipo de confusão foi criada sem muito sentido.

    Falam como se a “culpa” da Anitta fazer sucesso é por ela ser branca. Aparentemente, não tem nada a ver com o fato do clipe ter sido feito como uma “super produção”. Não que eu goste. Não que eu não goste por ser funk. É ruim de todo jeito. Michel Teló é branco, super produção e é um lixo. No sul do país, tem uma outra menina, que esqueci o nome agora, que é tão trash quanto as meninas do quadradinho de oito. E ela é branca. E nem por isso é bonito.

    Ainda falam: “Rap, funk, axé, pagode: é tudo “subcultura”.”

    Porra, querida.

    Samba é idolatrado. Tem uma porrada de artista negro que é vangloriado por uma classe alta burguesa branquinha. Jazz, Blues, Soul, Reggae. Se eu começar a enumerar uma lista de artistas negros que são idolatrados, não cabe nos comentários. Estilos que tem uma adesão fortíssima e todos são feitos por negros em sua maioria. Movimentos que as pessoas ousam chamar de “culturais” ou “mais culturais que outros” – como se os outros não fossem. Ninguém tá subjulgando o quadradinho de oito por ser feito por negras. O povo fala porque é trash. Porque os trajes são toscos, o vocal é tosco, a produção é tosca.

    Já dizia o Criolo:

    “Há preconceito com o nordestino, há preconceito com o homem negro, há preconceito com o analfabeto. Mas não há preconceito, se um dos três for rico”.

    Um branco pode popularizar um estilo de negros, beleza. A nossa sociedade tem racismo, beleza. São fatos. Mas, minha querida, não procura forçar tanto essa parada. Se o clipe fosse uma coisa mal produzida na rua, por uma menina pobre e branca, tinha dado a mesma repercussão do quadradinho de oito.

    • Ah, só pra completar.

      Funk, axé, pagode podem até ser músicas julgadas como subcultura. Mas vai hoje em qualquer baladinha, festa, micareta e o escambau. A classe alta, cheia de meninas branquinhas, loirinhas, de saias curtas compradas em NY, estão caindo até o chão ao som desses negros. Realmente, é um racismo sem tamanho.

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  24. Não concordo com o texto, acho que não tem nenhum teor de preconceito racial em relação as meninas.

    O que incomoda o público é a escassez de conteúdo produtivo da música, e o fato de serem CRIANÇAS coreografando sobre músicas PORNOGRÁFICAS. “Ah mas não tem nada a ver”, então jogue sua filha de 13 anos seja negra ou branca, pra ficar dançando de maneira vulgar no meio de um baile funk. Pago pra ver.

    Britney Spears antes dos 16 dançava de maneira vulgar com trejeitos eróticos. A imprensa caiu em cima, paparazzis não paravam de inventar boatos, e a pobre coitada foi boicotada de todas as maneiras possíveis.

    Miley Cirus também com suas apresentações eróticas está sendo SUPER criticada por toda imprensa, e até os seus próprios fãs. Todo mundo tá caindo em cima dela, até os próprios famosos. Inúmeras montagens de mal gosto circulando pela net. Como as das meninas do bonde.

    Demi Lovato apelando pra ícones sexuais em apresentações ao vivo foi fortemente criticada, fato que a fez mudar praticamente todas as suas coreografias e apresentações.

    E todas as 3 são brancas. Mas quando são meninas negras, a coisa é diferente. É racismo né? Hipócritas.

    Sandy e Junior começaram suas carreiras pelos 5 anos de idade, mas sempre mantiveram seus estudos intactos, e não produziam musicas de apelo erótico antes dos 18 – e acho que nunca chegaram a produzir. E por eles serem brancos não podem ser exemplo pra essas meninas?

    Além de denegrir a imagem brasileira, vocês estão sendo hipócritas ao falar que só pelo fato delas serem negras estão sendo criticadas. Se parar pra pensar isso ofende até pessoas de cor. Tanto brancos e negros estão sujeitos a críticas, e a julgar pelo caminho que elas estão trilhando elas vão receber muitas.

    PS: Eu sou negro, e tenho orgulho disso.

  25. Sejamos sinceros Anitta já é uma bosta, as músicas dela são ridículas. Mas o bonde das maravilhas consegue ser ainda pior, parabéns pra elas pelo esforço e dedicação a fazer tanta merda assim. O problema não é ser negra ou não, o problema é a qualidade… 50cent, Beyoncé, Rihana, Chris Brown, Seu Jorge, Jorge Benjor, Milton Nascimento, Tim Maia,etc… são negros e ótimos cantores…
    E sim parei de ler quando começou a falar de Anitta e Bonda das Maravilhas, por que só por aí já deu pra ver que isso é um post de merda.

  26. A Anitta é branca??? Vc é cego(a)? Pqp ela é MULATA, até fez plástica para afinar o nariz largo e alisou oi cabelo, parem de falar bobagens, branca é a Anne Hathaway, a Gisele Bundchen…

  27. Anitta, branca?kkkk. O mau do brasileiro é colocar mestiço e branco tudo no mesmo pacote se fosse assim o Brasil seria o país mais branco do mundo afinal aqui é bem dividido Brancos e Mestiços(meio a meio) agente já é o terceiro país com a maior população branca no mundo (EUA, Rússia) então… Seria bem mais civilizado. Sempre falam que o Brasil é racista, para né! Sabe o que a Argentina fez quando acabou a escravidão matou mais da metade da população afro e o restante mandou de volta pro lugar deles. E o brasil que é racista.

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  29. Péssimos exemplos foram usados pelo texto: primeiro q a Anitta é super criticada nas redes sociais, vive sofrendo bulling virtual, portanto ela nao é tao “idolatrada” assim. Segundo q o Bonde das maravilhas apareceram na maioria dos programas q a Anitta apareceu, portanto tiveram o mesmo espaço na mídia pra mostrar seus trabalhos. A diferença no sucesso não é a cor da pele ou as condições sociais delas e sim o tipo de música q cantam e não é preconceito pq o bonde canta um funk mais puro e a Anitta leva o funk pro lado mais pop, o problema é q certas músicas nao podem ser tocadas nas rádios ou na tv pq são simplesmente impróprias por conter conteudo muito sexual. É o q acontece com o bonde: meninas menores de idade com coreografias pornográficas. Por isso muitos cantores de funk gravam suas músicas com duas versões, uma pras radios e outras pros chamados “proibidões” pq sabem q certas letras sao ofencivas e ninguem quer ver seus filhos dançando em casa.
    Se quiser falar sobre racismo deve procurar melhores exemplos, pq esses sao muito sensacionalistas.

  30. De fato, gostei do seu post, mas gostaria de complementar sobre o que acontece na carreira de muitas cantoras negras, como dizem os boatos de ter ocorrido com MC Ludmila, quando uma negra chega em uma gravadora dizendo que deseja cantar MPB ou rock é fato que a ideia é rejeitada e recomendam que para ela fazer sucesso é preciso cantar samba ou funk. No caso do exemplo que VC deu eu tbm adicionaria está Ludmila que tanto faz sucesso com letras menos “perturbadoras” (geralmente) do que a Anitta e que arrasa no funk, mas lutou muito desde o início para poder mudar o estilo primeiramente incutido a ela (não olha pro lado o primeiro hit).
    Então se o negro quiser ver mudança nesse quadro a conscientização, deve fazer se negar a ser o que os brancos qeurem que o negro seja. Isso se baseará no despertar, no perceber de que VOCÊ é quem tem direito de escolher o que cantar, o que ouvir e o q gostar, não é pq a sociedade branca te impõe que você deva aceitar, questione, pense, observe e perceba que negros devem ocupar o mesmo espaço que brancos na música e em qualquer lugar porque tbm são gente. Então é isso. 😉

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